Certo dia, me perguntei o quanto eu poderia pintar com o sangue que corre em minhas veias. A ideia inicialmente me incomodou, mas a curiosidade falou mais alto e descobri que o corpo humano contém aproximadamente de quatro a seis litros de sangue. A descoberta não parou por aí; achei interessante abordar essas novas obras a partir de dentro, usando a cor do fluido que nos sustenta. Essas ideias me inspiraram a dar um significado mais profundo ao uso do vermelho, que é predominante nesta exposição: uma cor que incorpora o contraste de diversas paixões.
As obras agora expostas sob o título Código 60 oferecem-me a oportunidade de apresentar uma riqueza de experiências que abrangem minha infância, juventude e vida adulta. Essas experiências (boas e ruins) me guiaram na busca por sentido na vida e me mostraram diversos caminhos em meu processo criativo. Um início preciso e um fim incerto me impulsionam a mergulhar no complexo mundo da autorreferencialidade.
A viagem tem sido muito longa até agora, marcada por etapas muito complexas. Sonhos e pesadelos me acompanharam ao longo do caminho. Por isso, às vezes, prefiro não acordar. Daí os títulos das minhas obras, como Transmutação, Não me acordem e Não vou cair. A ideia central se concentra na esperança, na persistência e na vontade de continuar vivendo, apesar de todos os obstáculos que cada dia traz.
Eu teria preferido ir à guerra com poemas e flores, para amigos e inimigos, em vez de
rifles e balas. Espero que um dia eu possa pagar essa dívida que percorre meus
pensamentos; pois hoje sou vítima de consequências que jamais conseguirei decifrar,
porque temo me aproximar dos códigos da guerra, que me assombram como fantasmas e
acredito que me assombrarão pelo resto da vida. De hoje em diante, adornarei meus
pensamentos com flores e os anos que me restam de vida com poemas.
Moisés González Acosta