“Nasci desenhando”, dessa forma o artista Mario Schuster se define. Nascido em Pelotas, extremo sul do Brasil, cresceu junto à natureza. Autodidata, com 12 anos de idade começou a frequentar o ateliê de Nestor Rodrigues, artista uruguaio e professor da Faculdade de Belas Artes de Pelotas.Graduou-se em Medicina Veterinária e posteriormente no Curso de Artes Plásticas da Universidade Federal de Pelotas, bacharelado em Pintura. Em 2019, fez uma residência artística de um mês na ArtHouse Holland, Leiderdorp, Holanda, com exposição dos trabalhos em Amsterdã e Leiden.O que a princípio era visto como um hobby, com o tempo tornou-se uma profissão. Hoje dedicando-se apenas à pintura, a sua relação com os animais e com a natureza aparece nos seus desenhos minuciosos de troncos de árvores com seu microcosmos, em achados ao acaso de delicadas penas de pássaros, ninhos caídos no chão por ação dos ventos, borboletas com suas asas fragilizadas ou em pinturas de galhos de árvores que dançam com o vento. Essas banalidades cotidianas adquirem uma outra dimensão com a sensibilidade do olhar do artista, uma forma de se contrapor ao nosso olhar contemporâneo apressado, urgente.Por outro lado, atento ao seu redor e com o que ocorre no mundo, procura questionar através da sua pintura esse turbilhão de fatos e imagens a que somos submetidos diariamente e que transformaram o mundo em um grande espetáculo. Para tal, busca formas sutis de questionar a violência urbana, as guerras, o racismo, nunca explicitamente, mas de uma forma que o espectador possa entender. Os temas sociais também estão presentes, como na série de pinturas de retratos de pessoas comuns denominadas “Marias”, que tem como base a música “Maria Maria”, de Milton Nascimento, ou nos corpos de mulheres tatuadas inspiradas na frase de Clarice Lispector “liberdade é pouco para o que eu quero”.Embora trabalhe com a figura humana, a pintura de Mário Schuster não é hiper-realista; pode-se perceber as sutilezas das pinceladas, as camadas de cores, o que possibilita ao olhar inúmeras possibilidades carregadas de sensibilidade e de uma poesia contida, não explícita e que poeticamente nos questiona sobre o mundo em que vivemos hoje.
Atualmente é proprietário do Laguna Casa Atelier, em Pelotas, RS.Recentemente participou da Bienal da Amazônia, durante a COP 30 em Belém do Pará, e possui trabalhos na GraviArt Gallery em Roma, Ava Gallery, Helsinki e na Galeria Via Parque, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.
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