Foi na infância que a artista plástica Lairana, de 74 anos, desenvolveu o amor pela pintura e também pelas papoulas, tema recorrente em sua obra. Aos oito anos, já pintava assiduamente e as flores, que ela encontrava nos arredores da sua cidade natal, Bauru, SP, a fascinavam. O deslumbramento com a forma, a transparência, a cor, a textura e o movimento delas ao vento se traduziu em inúmeras telas. Parte desse acervo compõe a exposição "Primavera Plena", que será aberta hoje, às 19h, no Espaço 800, com entrada gratuita.
Pesquisadora, cientista, professora aposentada pela Unesp e doutora em Artes pela USP, Lairana desenvolveu ao longo de décadas seus traços e técnicas, algumas que ela mesma criou. Já expôs no Brasil e no exterior. "Eu abomino a cópia. Acho que o artista deve expressar aquilo que o emociona. E a partir da nossa percepção mais aguçada, nós levamos o outro a perceber coisas que não ele não necessariamente perceberia sozinho", reflete. Ela acredita que sua vivência com a meditação, que pratica com frequência, também é fundamental para viver intensamente o presente e manter a percepção aos detalhes com mais clareza e emoção.
Foi também a partir de experiências como viajante por quatro continentes, que ela aprimorou a sensibilidade no olhar. "Eu fotografei, trouxe sementes para plantar, colhi, senti o perfume, vi o movimento delas. Eu peço para parar o carro se vejo algum jardim ou lugar que pode ter papoulas. É algo poético para mim", conta.